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Facebook, Snapchat... e as relações simétricas entre tecnologia e sociedade

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Na semana da Web Summit o tema impõe-se: que relações se estabelecem entre a tecnologia e a sociedade? Reflitamos sobre a eventual experiência de uma leitora que esteja a ler estas palavras no seu smartphone, intercalando com uns saltos ao facebook, enquanto espera na sala de embarque de um aeroporto rumo àquela conferência em Lisboa. A geração Y, a geração Z, e a geração silenciosa Porventura terá escolhido os voos de ida e volta numa aplicação desse aparelho que lhos tenha selecionado segundo preços, horários e escalas. Assim como o local de alojamento em Lisboa, e porventura o carro alugado. Tendo ela não só nessa altura marcado e pago tudo isso também com o smartphone, como o terá utilizado ontem para fazer o check-in em casa enquanto jantava, trazendo o cartão de embarque digitalizado para ser lido oticamente nos controlos do aeroporto. Enfim, antes de responder à chamada para o embarque, essa leitora poderá fazer um breve comentário a esta crónica naquela rede social. E ...

Uma janela de 100 anos sobre a ciência contemporânea - O primado da razão

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Faz este mês exatamente um século que Albert Einstein publicou o artigo com um pormenor decisivo para a validade da teoria da relatividade geral (publicada em 2015): a previsão de ondas gravitacionais na base desta teoria. Daí o relevo que a comunicação social, em fevereiro passado, deu à interpretação de uma certa medição como sendo a deteção de ondas gravitacionais. Além do justo alvoroço nos meios estritos da física, esse processo parece-me revelador do que são em geral as ciências modernas e contemporâneas. Desde logo, sobre quão estas últimas têm vindo a afastar-se da observação espontânea do mundo natural e das relações sociais, e a privilegiar o exercício da razão. Um tempo vs. muitos tempos Einstein foi exemplo disso já com a teoria da relatividade restrita, em 1905, face a um problema com as medições da velocidade da luz. Pelo menos desde o best-seller Breve História do Tempo , de Stephen W. Hawking (1988), não faltam ao leitor apresentações avalizadas desse momento da...

5 Caraterísticas gerais das tecnologias - um caso açoriano

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No nosso quotidiano, desde a leitura deste jornal impresso ou online até a bebida de um café tirado de uma máquina, compreender a tecnologia é esclarecer boa parte do que vivemos e somos. Ensaiaremos aqui esse esclarecimento aplicando a um caso que nos é próximo as 5 condições que Hans Radder  ( In and About the World , 1996)  reconhece em quaisquer tecnologias . Sugerindo ainda a  aplicação destas a sistemas não-materiais, como o da edição deste jornal . Um caso açoriano Tomemos o caso das ordenhas móveis  –  apresentadas por Fátima Amorim  et al. , no abrangente apesar de pequeno estudo para a  IDEASS , como “uma inovação açoriana” (p. 1). Aliás, “a inovação mais interessante no maneio das vacas leiteiras nos Açores (…) constituindo a base deste modelo produtivo” (p. 8). Os autores não sustentam esta sua última afirmação. Mas, intuitivamente, pelo menos não nos é difícil reconhecer às ordenhas móveis “uma grande vantagem nas zonas em que a...

Os dois porquinhos mais novos e a COP21

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Suponhamos os três porquinhos da fábula a lerem, aqui nos Açores, o artigo “COP21 Paris climate talks: a beginner’s guide”, do Financial Times (30/11) – um jornal de todo insuspeito de privilegiar quaisquer outros interesses em detrimento dos económicos. Ou melhor, o porquinho mais velho a lê-lo, que os irmãos mais novos logo darão outro uso ao computador. De um lado, aquele porquinho deparar-se-á com a  comunidade internacional a assumir que o clima aqueceu cerca de 1ºC desde o início da Revolução Industrial; que daí decorrem alterações gravosas já em curso; que as emissões de carbono, por atividade humana, são relevantes para esse aquecimento; e que será imprudente aumentar este último acima dos 2ºC. Do outro lado, com os fracassos das COP2 (Kyoto) e COP15 (Copenhaga), o mesmo porquinho reconhecerá a dificuldade de um acordo político ecologicamente suficiente – seja entre os países que enriqueceram graças a tais emissões durante o último século e meio (os quais querem que ...

O sonho da Miss Nova Orleães e uma bioética para o séc. XXI (2)

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Na crónica precedente (11/11/2015), lembrei o sonho de certa Miss Nova Orleães de ter um filho com Einstein, na expetativa de juntar a beleza dela e a inteligência deste, também lembrei a resposta do cientista. E, referindo dois prémios Breakthrough para as ciências da vida, mencionei as transformações da espécie humana que estão ficando ao nosso alcance graças ao poder tecnocientífico das NBIC – nanotecnologias, biotecnologias, informática, e ciências cognitivas (neurociências, inteligência artificial, robótica).  Argumentei que o mais sensato será usar esse poder com alguma limitação. Resta saber qual. Foi a propósito desta questão que concluí essa outra crónica introduzindo a atual: “enquanto porém apenas perspetivamos essa revolução das NBIC, temos de lidar hoje com uma outra revolução que parece estar em curso nos próprios alicerces de qualquer resposta ao que temos vindo a tratar”. Da herança moderna… Com efeito, na segunda metade do séc. XX, foram estabelecidas nor...

O sonho da Miss Nova Orleães e uma bioética para o séc. XXI (1)

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Conta-se que, face à aspiração de certa Miss Nova Orleães por um seu filho com Einstein, pela expetativa dela de acrescentar à sua beleza a inteligência do cientista, este, prudentemente (ainda que confessando o apetite pelo ato da experiência), lembrou a possibilidade de a criança sair antes ao pai na beleza, e à mãe na inteligência. A cautela percebe-se, pois, à época, a tecnologia de seleção artificial na evolução das espécies ainda não tinha progredido substancialmente desde a revolução neolítica. A saber, a escolha dos animais reprodutores e de sementes, as técnicas de enxerto de plantas… estendidas recentemente ao transporte de sémen e à fecundação artificial. Todas essas técnicas facilitavam a transmissão de umas informações em detrimento de outras. Mas a informação disponível e os processos combinatórios seriam sempre os que a natureza facultasse. Hoje, 12.000 anos depois do início do Neolítico, uma nova revolução se afigura vir quebrar essa limitação. E uma revolução de ...

Arruda Furtado: os primórdios do darwinismo (biológico e humano) em Portugal

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              Nestas semanas de lazer, uma rica sugestão de leitura – tão portuguesa quanto internacional, e, no âmbito social e humano, bem atual – é a de Charles Darwin, juntamente com John Dalton Hooker (botânico evolucionista, amigo de Darwin), o lamarckista Edmond Perrier, e mais sete dezenas de vultos científicos europeus e americanos da época. Entre os quais Gustave Le Bon, um dos primeiros cientistas sociais a aplicar o paradigma da seleção natural.             Além de que basta um tablet ou equivalente, e algum sítio com acesso à rede, para podermos navegar pela correspondência  que todas aquelas pessoas quiseram manter, e assim valorizaram e no-lo sugerem, com Francisco de Arruda Furtado.             Pela minha parte navegarei – com a casualidade própria de uma leitura de férias – pela extensão do paradigma darwiniano desde a mal...