Ética na IA (2): a inteligência do que as coisas “inteligentes” fazem (1)
Contra a tese da neutralidade moral da tecnologia, admiti aqui que as coisas (materiais ou virtuais) fazem algo. De forma que a condição moral do que fazem lhes é intrínseca. No entanto, essa condição pode ser balizada ou enquadrada conforme o âmbito daquilo que cada tipo de artefactos precisamente faz. No caso dos atuais algoritmos inteligentes, este âmbito é o da referência do predicado “inteligência”, cuja satisfação distingue esses artefactos. Bombe, Bletchley Park Para o esclarecermos – e assim podermos delimitar ou mesmo orientar uma abordagem ética a esta tecnologia –, julgo que uma entrada frutuosa será nos afastarmos do Alan Turing de 1950, quando propôs uma IA capaz de aprender simplesmente com base em muitos dados, após o sucesso da máquina de descodificação em Bletchley Park (e porventura contando com o drama íntimo pela reação social e institucional à sua homossexualidade). Para começarmos por retomar o artigo de 1936, em que o matemático e tecnólogo inglês argumentou ...