Ética na IA (1): a moralidade dos artefactos e os algoritmos inteligentes
Num raro momento de perplexidade moral, 007 , agente ao serviço de Sua Majestade, pergunta ao armeiro que lhe otimizara uma arma se essa profissão não o incomoda. Ao que o outro responde: “ Mr. Bond, as balas não matam. É o dedo que puxa o gatilho.” Esta cena de O Homem da Pistola Dourada foi a minha introdução à tese da neutralidade moral da tecnologia. Ponderosa, mas, creio, errada. Essa tese implica que a moralidade se reporta à agência ou capacidade de fazer algo e que os artefactos técnicos não têm agência. A primeira condição será pacífica, mas a segunda não. Em sentido forte, “agência” significa a capacidade de, perante comportamentos alternativos que sejam possíveis, escolher os valores para ponderar essas alternativas, aplicar os valores assumidos, decidir, e causar o comportamento correspondente. Se essa agência se verifica, pelo menos por ora, será exclusivamente humana. Já no sentido fraco de intervenção na determinação e promoção dos comportamentos, ainda que porventura...