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Enviesamento – enquadramento e uma solução realista e democrática-liberal

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O enviesamento algorítmico fere a objetividade da aplicação dos sistemas inteligentes a cada circunstância, e gera discriminações sociais. Há diversos procedimentos técnicos para o minorar. Mas a escolha entre estes depende do enquadramento desse problema, e de pelo menos duas pressuposições teóricas. Nestas linhas, apontarei o rumo da solução que decorre de um quadro teórico, aquele em que abordo eticamente esta nova tecnologia, apontando, assim também, os primeiros alvos de uma crítica a esse rumo. Num passo ainda pré-ético desse enquadramento, uma vez que concebamos a “inteligência” da IA conforme o paradigma comportamentalista – normalmente enquadrado numa abordagem funcionalista aos processos mentais –, podemos distinguir três momentos no processo desta tecnologia:       1)         Extração e coleção de dados – o input da função.       2)         Tratamento dos dados, conform...

A inteligência das coisas “inteligentes” (1)

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Contra a tese da neutralidade moral da tecnologia, admiti aqui que as coisas (materiais ou virtuais) fazem algo. De forma que a condição moral do que fazem lhes é intrínseca. No entanto, essa condição pode ser balizada ou enquadrada conforme o âmbito daquilo que cada tipo de artefactos precisamente faz. No caso dos atuais algoritmos inteligentes, este âmbito é o da referência do predicado “inteligência”, cuja satisfação distingue esses artefactos. Bombe, Bletchley Park Para o esclarecermos – e assim podermos delimitar ou mesmo orientar uma abordagem ética a esta tecnologia –, julgo que uma entrada frutuosa será nos afastarmos do Alan Turing de 1950, quando propôs uma IA capaz de aprender simplesmente com base em muitos dados, após o sucesso da máquina de descodificação em Bletchley Park (e porventura contando com o drama íntimo pela reação social e institucional à sua homossexualidade). Para começarmos por retomar o artigo de 1936, em que o matemático e tecnólogo inglês argumentou ...

Leitura de férias: "contra o relativismo e o construtivismo"

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Na germinação do movimento woke que veio a eclodir já neste século, o New York Times (22/10/1996) publicou em primeira página a reivindicação de um representante dos índios sioux sobre a explicação da origem dos povos autóctones da América. Designadamente, contra a tese produzida segundo os métodos da arqueologia – que esses povos teriam migrado da Ásia pelo estreito de Bering na última Era do gelo – aqueles índios sabem que descendem do povo Bufalo que ascendeu (literalmente) à superfície terrestre vindo do mundo dos espíritos sobrenaturais. Mas o mais significativo, nessa peça jornalística, é o juízo de alguns arqueólogos académicos de que as duas teses – e mais quaisquer outras que respondessem à mesma questão – valem epistemologicamente o mesmo. Isto é, de nenhuma se pode dizer ser mais "verdadeira" do que as alternativas. O wokeísmo e uma dependência social do conhecimento Dessa tese da "Validade igual" de quaisquer teses teóricas alternativas pode derivar-se ...