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A reindustrialização e a tecnologia como vontade

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Enquanto ainda se discute o Orçamento do Estado, sobre o financiamento e orientação de uma eventual reindustrialização e desenvolvimento tecnológico do nosso país, concordaremos que ou serão eminentemente comunitários, ou em boa parte nacionais, ou não se realizarão quaisquer dessas inovações que impliquem investimento. Em última análise, porém, a opção sobre esse financiamento e orientação implica uma decisão no âmbito do que um autor já clássico, ainda que numa obra que cumpre agora o número redondo de trinta anos apenas, chamou a “tecnologia como volição”. Uma decisão também salientada, embora de forma mais simplificada, pelos recentes Nobel da economia Daron Acemoglu e Simon Johnson. No plano da modalidade de financiamento, dada a carta pública do nosso Primeiro-ministro à Presidente da Comissão Europeia, a opção portuguesa parece ser a comunitária. Tanto por um aumento das dotações nacionais para o orçamento da UE, quanto pela mutualização de dívida contraída pela Comissão Europ...

Afinal, o que é a tecnologia? – O caso dos xenobotes

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Faz amanhã um ano que, normalmente aos primeiros sábados de cada mês, sempre entre 495-500 palavras, aqui abordamos as intermediações da tecnologia entre o homem e o mundo. Fazendo um ponto da situação, esta será uma boa ocasião para abordar a questão básica que seria a primeira, mas que foi ficando adiada: afinal, o que é a tecnologia? O que é isso, desde as pedras lascadas do Homo Habilis até artefactos atuais como os xenobotes, que distingue a atividade dos espécimes do género “Homo”, ou seja, a forma humana de existir? C. Mitcham Um dos autores mais referidos nesta área, o historiador Carl Mitcham, registou quatro usos do termo “tecnologia”: como designação de i ) objetos, coisas como máquinas ou mesmo sistemas físicos, mas artefactuais. Em relação às ii ) atividades de design, produção e de utilização daqueles objetos. Designação de iii ) conhecimento, em especial o “saber-como” fazer as coisas, (eventualmente) distinto do “saber o que” as coisas são. E, ainda neste âmbito antr...