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Ponta Delgada, Capital Europeia de uma Cultura integral – tecnologia e ciência

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Em 1959, C.P. Snow proferiu a conferência “The two cultures”, em que distinguiu a cultura das ciências e a cultura das Humanidades. E desconsiderou a segunda pela sua falta de rigor e pela sua irrelevância para o melhoramento das condições de vida das populações. A avaliação social dos cursos “de ciências” e “de letras” revela bem como essa continua a ser a disposição comum. Exatamente meio século depois, Jerome Kagan retomou a questão da ponderação de diferentes culturas disciplinares em The Three Cultures – Natural Sciences, Social Sciences and the Humanities in the 21st. Century . Mas apontou as respetivas assunções seminais, vocabulários e contributos. Para argumentar que nenhuma esgota a experiência humana do mundo e de nós próprios. As três culturas – ou quatro, se descolarmos as artes das Humanidades – devem, pois, ser consideradas e até articuladas. J. Kagan, The Three Cultures Abordamos aqui apenas a primeira – aquela que consolidou a distinção da cultura de matriz europei...

Inteligência Artificial, escola e futuro próximo

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No recente Fórum Regional da Qualificação Profissional, o Secretário Regional Duarte Freitas (na fotografia) relevou “ os desafios da indústria agro-alimentar e ainda a digitalização e a economia azul, áreas com grande potencial de desenvolvimento nos Açores ” ( C.A. , 19/11/2021). Entretanto, no país e na região, finalmente se acordou para a iminente falta de professores. Um denominador comum entre uma solução desta carência – não só pela substituição de docentes, também pela dignificação das funções que então lhes serão próprias – e aquela digitalização na indústria etc., será o tratamento da Inteligência Artificial na educação escolar ( IAED ). Nomeadamente, em três dimensões: aprender sobre a IA, aprender para a IA, e aprender com a IA. A primeira dimensão introduzirá as outras duas, mas desenvolver-se-á com estas. Nos EUA, o programa AI4k12 (IA para o ensino básico e secundário) contempla 5 ideias sobre IA que todos os alunos devem conhecer: i ) perceção (sentidos humanos ...

Martin Heidegger - A raiz da distopia tecnológica

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É frequente o lamento de que nos alienamos da nossa condição humana nesta sociedade crescentemente tecnologizada. Motivados pelo recente volume da revista Atlântida (IAC) sobre utopias e distopias , perguntemo-nos: mas não somos nós, seres humanos, quem determina os fins para os quais usamos as tecnologias, e que assim as controlamos? Martin Heidegger, provavelmente o mais célebre e o mais obscuro pensador sobre a tecnologia e o homem, respondeu que não somos. Aqui fica uma tentativa de em menos de 500 palavras interpretar essa resposta. Primeiro, assinalemos que a sua obra se foca na condição básica de tudo o que esteja envolvido em quaisquer acontecimentos ou ações, desde este computador até à pessoa que se encontra a utilizá-lo: tudo isso é (existe). A sua primeira condição é a de ser . Heidegger acentuou que, na tradição encetada na Grécia Antiga, o ser teria sido pensado, digamos, como um processo de adveniência de cada ente à presença dos demais. Em especial, a-presentação àquel...

Smart cities (3): influência e contestabilidade das tecnologias

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Na Ásia, América e Europa está em curso a dotação de “inteligência” às cidades. Um caso de participação nesse movimento global, e assim também de ilustração do conceito “cidade inteligente”, é a iniciativa Aveiro Tech City com os seus diversos projetos e atividades.   Os benefícios potenciais dessas tecnologias são entusiasmantes. Mas a primeira condição da sua realização será enjeitarmos, desde o início, a atitude “tecnomágica” que atribui à tecnologia a virtualidade de resolver sem custos tendencialmente quaisquer problemas ou limitações humanas. Contra a tecnomagia, na IA daqueles processos digitais reconhecem-se os enviesamentos humanos e as incongruências que  aqui introduzi há dias. Os quais (enviesamentos), como também aí procurei assinalar, põem particularmente em risco a liberdade “negativa” (ausência de imposições) dos habitantes destas cidades, enquanto todavia podem facultar uma maior liberdade “positiva” (capacitação) destes últimos. Neste período de reflexão c...

Smart cities (2): os enviesamentos da IA e uma preocupação com a liberdade individual

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Portugal Smart Cities Summit Sobre atuais projetos autárquicos que omitam o tema da “cidade inteligente” saberemos que, na melhor hipótese, se orientam rumo ao passado. Na pior hipótese, estarão a abrir a porta a interferências dos detentores dos cargos executivos, sejam políticos ou técnicos, nas vidas da generalidade dos munícipes e visitantes dos concelhos, a um ponto que eventualmente nos aproxime do 1984 de George Orwell. É com este risco que nos pre-ocuparemos nestas linhas. Na última semana, adotei  aqui  a definição das cidades inteligentes como a “imersão nas estruturas urbanas (…) de sistemas de sensores (…) que permanentemente recolham informação, a qual será classificada por inteligência artificial [IA], investida da responsabilidade de tomada de decisões”. Mas, como bem questionou João Moniz também  nestas páginas  já há pouco mais de 2 anos, “quem é que vai definir os critérios de recolha de dados, e posteriores algoritmos de análise?” (Um “algoritmo”...

Smart cities (1): impactos sobre os habitantes

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Neste período de reflexão sobre os nossos concelhos e de correspondentes projetos a médio ou a longo prazo, será preocupante passar em silêncio o tema das Smart Cities . Entre as quais, em Portugal, se distingue a iniciativa Aveiro Tech City .   “Cidade inteligente”   Esta expressão designa a imersão nas estruturas urbanas, públicas e eventualmente privadas, de sistemas de sensores físicos (ex. câmaras) e virtuais (ex. contagem de intervenções em páginas digitais) que permanentemente recolham informação, a qual será classificada por inteligência artificial, investida da responsabilidade de tomada de decisões. Seja pela construção de raiz de cidades inteligentes, como o PlanIT Valley que esteve previsto para o concelho de Paredes, ou como a cidade The Line anunciada no início deste ano pelo príncipe saudita Mohammed bin Salman. Seja por uma imersão gradual das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) inteligentes, como está acontecendo em Amesterdão desde 2009....

9:41 min. de Don Ihde (2015): conceitos fundamentais da pós-fenomenologia - mediação entre o ser humano e o mundo pela tecnologia

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A par de John Dewey, Don Ihde porventura será o filósofo da tecnologia cuja obra, do séc. XX, mais deverá ser explorada e desenvolvida no séc. XXI. No caso de D. Ihde, contando com os desenvolvimentos por P.-P. Verbeek , S. Dorrestijn etc. (No caso de Dewey, v. desenvolvimento por L. Hickman) Poucas obras dos últimos séculos serão tão relevantes como essas para a compreensão e orientação da civilização da indústria 4.0, porventura visando uma sociedade 5.0. Entrevista concedida para a UNOCHAPECÓ em 21/04/2015