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Mensagens

Aquelas coisas desinteressantes onde todavia começam as resoluções dos problemas

São cada vez mais os autores que dão conta do complexo de problemas que a Inteligência Artificial, as biotecnologias, etc., colocam não só à organização social, laboral… mas ao ser humano tal como este se constitui desde o advento do Homo sapiens, e à natureza em geral. Foi aliás por aí que comecei esta série de crónicas. Mas veja-se antes, aqui, a "pandemia electrónica" ainda agora muito bem reconhecida por José Malta. Ou o artigo de Paulo Jorge Falcão Alves (Omnia, 2018, 8 (1)), com as pistas bibliográficas que abre. Ou a crónica de Maria de Sousa Pereira Coutinho (Observador, 19/06/2018), até por abrir antes uma objeção à proposta que aqui deixarei.
Passos em frente na resolução desses problemas com certeza se requerem, e urgentemente. No entanto, qualquer caminhada que nasça torta tarde ou nunca se endireita. Pelo que nestas linhas infletirei antes duas notas atrás. Uma cartilha da resolução de problemas “Problema”, etimologicamente, significa um obstáculo posto à frent…
Mensagens recentes

Pela estufa, contra a Natureza

Habituei-me a ouvir e a ler que Adam Smith teria defendido que existe um mecanismo de autorregulação das relações entre os membros de qualquer comunidade, de tal modo que, se ninguém interferir nelas, as comunidades se organizarão espontaneamente pelo melhor. Seria a esse mecanismo que se referiria a metáfora da “mão invisível do mercado”. Chamando-se então “liberais” aos que acreditam na existência dessa “mão”, e “intenvencionistas” aos que não confiam nela. Até que li algumas passagens do próprio Adam Smith. E encontrei este professor de filosofia moral, na Glasgow de meados do séc. XVIII, a defender quase o contrário.  Começando pela passagem onde afirma que, se produtores num determinado mercado (o das passagens aéreas, o dos serviços escolares, o dos cuidados médicos…) se encontrarem por acaso numa qualquer sala, passados vinte minutos estarão a “conspirar” (o termo é do autor) sobre como evitar a concorrência entre si, e como cada um poderá oferecer o mínimo e pior possível pelo …

Plástico – do quotidiano à decisão em desafios globais

O Museu de Leiria, e o Centro Interuniversitário de História da Ciência e Tecnologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, estão a preparar para 2019 uma exposição cuja importância cultural não imagino que possa ser ultrapassada por qualquer outra. Para a qual pedem a nossa contribuição em fotografias, informações e eventualmente em peças, a enviar neste mês e no próximo – daí o momento da presente crónica. Refiro-me à exposição sobre a história dos plásticos. Um tipo de materiais que, de tanto os aproveitarmos no nosso quotidiano, tanto os reconhecemos como utilíssimos quanto (não sendo hoje facilmente recicláveis) os tornamos um problema ambiental global. Para cuja resposta nos confrontamos com a questão da evolução tecnológica obedecer a alguma dinâmica interna, determinando a sociedade – e restar conformar-nos – ou, inversamente, ter essa última controlo sobre aquela evolução – e devermos então preparar alguma resposta. Nem de propósito, precisamente o “triunfo da b…

A corrida de bicicletas

Passado o inverno começam as corridas de bicicletas. Mas uma está em curso há já uns anos. Nela, há algum tempo atrás vinham os ciclistas a subir a montanha. Uns “trepadores” à frente, depois estendia-se o pelotão, mas todos progredindo com custo, naturalmente mais devagar do que tinham rolado antes na planície. Para trás do pelotão, quatro atletas começaram a arrastar-se até tenderem a cair para a berma. Num último fôlego gritaram por socorro. Os diretores das outras equipas disseram “Solidariamente, não podemos abandoná-los”, enquanto pensavam que sem concorrentes suficientes nem haveria prova para eles ganharem. Pelo que mandaram os seus carros irem rebocá-los até perto do cume da montanha. Quando lá chegaram, o candidato a diretor de uma destas equipas atrasadas inchou o peito e bradou “Não chega! Vocês têm é que pôr o nosso ciclista ao nível de todos por igual!” Os outros diretores nem lhe responderam. Mas o povo da vila que se fazia representar por essa equipa gostou da voz grossa,…

Da moralidade das caravelas… à necessidade de um Museu das Descobertas

A aproximar-se mais um 10 de junho, e com o levante que por aí vai pelo projeto de um museu das Descobertas, tomemos eticamente o caso das caravelas portuguesas. Perguntando-nos se em si mesmas, e com elas os respetivos designers e construtores, merecem a aprovação moral tanto dos europeus e suas extensões civilizacionais, quanto daqueles que para disso participarem enfrentam hoje a morte no Saara e Mediterrâneo, ou a caminho da fronteira entre o México e os EUA. Ou se merecem a condenação moral, por terem servido para transportar escravos, atacar povoações… Ou se ainda, como diria o sr. Lazar, caravelas não constroem globalizações, as mãos é que puxam as adriças e seguram a roda de leme, na escolha de transportar café ou escravos. Só os usos das caravelas terão sentidos morais Pela minha parte, fui apresentado a essa terceira tese – da neutralidade moral da tecnologia – pela resposta do referido armeiro: “Mr. Bond, as balas não matam. É o dedo que puxa o gatilho” (O Homem da Pistola Do…

O regresso de três velhíssimas questões

Vendo bem as coisas, neste fim da segunda década do séc. XXI fará sentido assinalar o dia do trabalhador a 1 de maio, e não a 12 de abril. Mas em qualquer caso, para entrarmos com os olhos abertos na terceira década deste século, teremos de os voltar para o séc. IV a.C. A revolta ludita Pois, de um lado, assinala-se hoje a grande manifestação de 1886 em Chicago, reivindicando a redução da jornada de trabalho para 8h. Redução?! Nestes tempos em que se precipitam notícias de máquinas – quer dizer, de coisas que desenvolvem, ou que se sucedem a outras que chamávamos “máquinas” – que a cada ano superam as expetativas do ano anterior sobre as suas próximas capacidades de reunião e tratamento de informação, de tomada de decisão, e até de geração por essas "máquinas" de comportamentos adequados com base em dados para cuja interpretação elas não recebem regras, ou seja, capacidade de “aprendizagem” nessa adequação, o que se perspetiva é a extinção de muitos postos de trabalho humano. O…

“Falando em corrupção… malefícios evitáveis?”

Pouco assisti à investigação da SIC sobre (a alegada) corrupção entre o Sr. Ricardo Salgado, de um lado, e os Srs. José Sócrates, Manuel Pinho, Zeinal Bava… do outro lado. Mas o caso parece cheio daqueles episódios em que a realidade ultrapassa a ficção. A ficção rasca. E como tal, confesso, acaba por me interessar mais ir seguindo o FCP. Todavia, no futebol, lá vem o Benfica e a operação e-toupeira. Levanto os olhos aos céus… e logo tem de passar um avião na rota de Lisboa, onde me lembro que viajará o Sr. Carlos César, ou a D. Berta Cabral, que mal aterrarem irão receber o (legalíssimo) reembolso por essa viagem apesar de ter sido a Assembleia da República a pagá-la, isto é, o leitor e eu. Tal como aliás somos nós quem paga os reembolsos. Não há como fugir à coisa. Em especial a 25 de abril. Pelo que trago a estas páginas o seu livro que um antigo colega de faculdade teve recentemente a amabilidade de me enviar: Sociedade e Estado em Construção: Desafios do Direito e da Democracia em A…