Da moralidade das caravelas… à necessidade de um Museu das Descobertas
A aproximar-se mais um 10 de junho, e com o levante que por aí vai pelo projeto de um museu das Descobertas, tomemos eticamente o caso das caravelas portuguesas. Perguntando-nos se em si mesmas, e com elas os respetivos designers e construtores, merecem a aprovação moral tanto dos europeus e suas extensões civilizacionais, quanto daqueles que para disso participarem enfrentam hoje a morte no Saara e Mediterrâneo, ou a caminho da fronteira entre o México e os EUA. Ou se merecem a condenação moral, por terem servido para transportar escravos, atacar povoações… Ou se ainda, como diria o sr. Lazar, caravelas não constroem globalizações, as mãos é que puxam as adriças e seguram a roda de leme, na escolha de transportar café ou escravos. Só os usos das caravelas terão sentidos morais Pela minha parte, fui apresentado a essa terceira tese – da neutralidade moral da tecnologia – pela resposta do referido armeiro: “Mr. Bond, as balas não matam. É o dedo que puxa o gatilho” ( O Homem ...