Desde as carteiras da cabulice no ensino básico, de
truque nenhum se esqueceu a grande maioria dos nossos deputados à Assembleia da
República. A espera pelo virar de costas do professor, para então rapidamente avançarem
revisões à lei do financiamento dos partidos; o uso de siglas anónimas nos
bilhetinhos, como as letras A, B e C em vez da identificação partidária nas
propostas de lei; o extravio de quaisquer atas ou relatórios que esclarecessem
a autoria das ideias mais luminosas… Seria até enternecedora tanta juvenilidade,
não fossem neste caso truques de carteirista. Pelo que a nossa costela securitária nos leva a
ponderar: com gente desta, se calhar o melhor seria fechar de vez o estaminé
(leia-se: a A.R.). Ao que a costela racional tem porém de objetar: será melhor,
se o valor da democracia liberal – aquela em que cada cidadão detém um voto
para participar nas decisões coletivas – depender da seleção dos mais competentes
e honestos; ou se, principalmente, houver alternativa menos m…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)