Os termos gregos theastai – de onde deriva “teatro” – e drama significam, respetivamente, “ver”
ou “olhar-para”, e “ação”. Daí as afirmações comuns de que o texto dramático é
escrito para ser visto (quando muito ouvido na rádio, etc.), e que apresenta
imitações da ação humana. Mas será evitando precipitarmo-nos no uso de “visão”
que melhor acederemos ao sentido mais curial dessa imitação da ação. Com a
dramaturgia a poder então revelar-se como uma grande arte, que se
demarcará da pequena arte (entre outras coisas, creio que foi com
alguma urticária que esta distinção tem provocado desde o
século passado que o nosso frei João Martins antecipadamente
se preocupou*). O campo de aplicação das
palavras da família de “visão”, “ver”, etc., não se esgota em processos como o
da impressão que a luz refletida nesta superfície clara com
arabescos escuros (esta página e letras) provoca na retina da respetiva leitora,
até ser trabalhada na zona psicovisual do seu cérebro. Pois, além dessas “perceçõe…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)