“Ao contrário do que
parecem pensar os seus corifeus, a tecnocracia nunca é asséptica”. A
afirmação é de João Bosco Mota Amaral, na crónica “Ideologia e realidade” publicada neste jornal a 5 do mês passado. Um texto que, a bem tanto
da cultura política quanto da cultura tecnológica nestas ilhas, não deve passar
despercebido. As linhas que se seguem tentam ser um pequeno contributo para isto. “Tecnocracia”
e alienação… ou má-fé política
Literalmente, “tecnocracia”
significa a entrega da autoridade ou do poder político não a agentes
ideologicamente condicionados, mas sim a técnicos das questões em causa. Os
quais se distinguiriam dos “políticos”, de um lado, por conhecerem a melhor
forma disponível de as resolver, do outro lado, por serem ideologicamente
neutros.
Uma denúncia minimalista dessa
pretensão será revelar que as questões políticas não se reduzem a questões técnicas,
mas não discutindo se, nestas outras, se verifica alguma forma resolutiva indiscutivelmente melhor do que quaisq…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)