Nas últimas duas crónicas reconheci sinais de que
bastantes portugueses preferirão pactuar com a corrupção – e outros desvios
morais – do que fragilizar quaisquer laços dos respectivos grupos sociais
primários (ex. família), ou arriscar a imagem pública destes últimos. Uma
ultrapassagem dessa posição jogar-se-á em duas dimensões éticas. Devendo
ocorrer em três planos persuasivos as intervenções a seu favor. Numa destas
dimensões éticas, essas pessoas parecem considerar moralmente apenas os seus
vínculos aos respectivos grupos sociais primários, quando porém todo o país
interfere nas suas vidas. Daqui a questão: como se poderá intervir para alargar
os limites daqueles grupos ao país que, de facto, é relevante a cada um de nós? Na outra dimensão,
esses desvios morais são facultados por uma hierarquia de valores que
privilegia a solidez do grupo social primário. Questão: como se poderá induzir
uma reclassificação dos valores na cultura portuguesa, subordinando essa
segurança à honra e à ho…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)