Aliás, podemos fazer um exercício útil para perceber melhor a raiz dos problemas. Primeiro, calcular o défice médio que vigorou de 2000 a 2007. De seguida, compará-lo com a performance económica registada no período subsequente (e que, neste caso, é dada pela diferença entre a taxa média de crescimento do PIB entre 2008 e 2014 e a taxa média de crescimento do PIB entre 2001 e 2007).
Não há grande relação entre as duas. Mas e se trocarmos o défice público pelo défice externo? Bom, já estamos a chegar a algum lado. Deixem-me saltar os detalhes e avançar directamente para a explicação canónica desta imagem: ela representa uma crise típica de balança de pagamentos. O problema não foi o endividamento do Estado, mas o endividamento de toda a economia. Depois de vários anos a conceder empréstimos a custo quase nulo, os mercados abriram os olhos, apertaram as condições de crédito e forçaram um enorme credit crunch.
in: Pedro Romano, "Dívida pública e dívida externa e o artigo de Vítor Ben…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)