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Mensagens

Diagrama das ideologias modernas

As ideologias modernas de matriz europeia são aqui concebidas como sistemas de 3 valores políticos, segundo diferentes hierarquias destes*.
Ou seja, o núcleo identificador de cada ideologia encontra-se no seu respeito prioritário por um dos valores políticos reconhecidos.
Assim as posições ideológicas devem ser representadasno espaço, determinadas por uma abcissa, uma ordenada e uma cota.

E não apenas no plano, a 2 dimensões (ainda que esta representação também funcione razoavelmente, ex. teste do Political Compass) - o que pode fragmentar cada ideologia, ou seja, negá-la na unidade que no entanto ela faculta na prática - ex. quem for mais liberal nos costumes do que na economia (ou vice-versa), no plano do P.C. encontra-se num dos quadrantes inferiores, mas, no eixo esq./dta., onde se encontra? Ora, tal como se alguém construir um "metro" mais curto, as coisas que depois meça não encolhem, o instrumento de medida é que está errado, também aqui não é essa pessoa que é incoe…

Grandes pequenos líderes vs. pequenos grandes líderes

Passada uma semana sobre a morte de Mário Soares começa a abrir-se o tempo de uma reflexão menos apaixonada, e menos personalizada, sobre o sentido do seu legado. Num juízo assim sobre o conjunto de decisões e ações nacionais de que o ex-presidente foi, se não um dos primeiros responsáveis, pelo menos um dos seus maiores representantes. Um juízo que se impõe como parte da nossa decisão hoje sobre as ações que concretizarão o melhor futuro coletivo, na base das heranças recebidas. Partes da história política de Mário Soares estão há muito encerradas – A tese de que um pequeno país europeu poderia segurar um império como nem o Reino Unido e a França tinham podido manter, já não está em discussão. Como já não há a URSS de que pudéssemos vir a ser uma sucursal ibérica. Enquanto a possibilidade de um populismo autocrático, numa deriva da “jangada de pedra” diretamente até à costa venezuelana, ainda não está em questão… embora, à cautela, talvez convenha ir mantendo viva a memória da Fonte…

Para o novo ano, faço votos (desesperançados…) pelo regresso aos anos velhos

Segundo os Dicionários Oxford, a palavra que caraterizou o último ano foi “pós-verdade”. Um adjetivo que significa “relating to or denoting circumstances in which objective facts are less influential in shaping public opinion than appeals to emotion and personal belief” (The Guardian, 15/11/2016). Em Portugal, para designarem os discursos que assim “moldam a opinião pública”, algumas cliques bem-pensantes tinham já adotado em força o substantivo “narrativa”.

"Realidade", "realidade", "realidade"...

O que me relembra o seguinte caso histórico, que descobri numa das minhas solitárias explorações juvenis dos livros esquecidos numa estante na falsa da casa que fora dos meus avós (o tempo, e o mundo, ficavam-me suspensos como os grãos de pó que oscilavam lentamente na faixa de luz doirada que entrava pela janela de uma guarita no telhado…), e de onde muitos anos depois parti numa argumentação sobre a realidade – base de quaisquer “objective facts”: “Em março de 1…

Ano de natal

O dia mais pequeno do ano é o do solstício de inverno, que ora calha a 21 ora a 22 de dezembro. Mas só por ilusão de ótica se dirá que o terceiro ou quarto dia a seguir, em conformidade, é um dos mais pequenos. Antes se estende para trás, quando quem o vive tiver cuidado de quem partilhe consigo este dia – qual jardineiro cuidando das plantas do seu jardim. Estende-se até todas as vezes em que deu atenção à palavra ou ao gesto da mulher, e assim agora sabe que perfume ela gostará de receber. Estende-se por todo o tempo em que apoiou o filho na caminhada para a faculdade, incluindo o pagamento de explicações e propinas, quando agora lhe sobra apenas um presente para este filho, além de o abraçar com orgulho. Tal como, ao desejar boas festas a alguns amigos, estes votos o estendem até quando se alegrou com o sucesso de um, e principalmente até ao período em que se manteve junto do outro então caído no lado errado da fortuna. Mas também quando os amigos lhe retribuem os votos, especialm…

Pelo natal, quero resposta ao maior enigma particular da ciência moderna

Foi na sacristia de uma igreja que fui confrontado com essa questão, e a aparente desapropriação do local creio que ainda me a tornou mais enigmática: há anos – demasiados, considerando que quase nada avancei nela desde que me foi colocada! – passei pela Igreja do Campo Grande, em Lisboa (onde vivia na altura), para me encontrar com o Pe. João Resina Rodrigues, ilustre professor de física do Instituto Superior Técnico e doutorado em filosofia. Ele iria emprestar-me um livro que acabara de receber sobre o espaço e o tempo. E ao entregar-mo, no sossego da sua sacristia, com um leve sorriso me pareceu que entre divertido pela confusão que deveria provocar, e a inspeção da perceção do alcance das suas palavras, perguntou: como é possível que os nossos cálculos matemáticos se apliquem à Natureza?

Enigma na sacristia...

Esta questão é provavelmente a mais crucial, mas também a mais intratável, de entre todas as que se colocam às ciências modernas. Condicionando desde algumas metodologias cien…

Populismo... e avaliação civilizacional do Ocidente (e dos EUA, diretos desde o "Yes we can" às promessas de Trump)

Exemplo de obra clássica

Cada homem passa. Alguns são génios - são os que criam obras clássicas. Estas não passam. E cada uma é única, apesar de todas elas convergirem aproximadamente para as mesmas duas ou três ideias.