Segundo os Dicionários
Oxford, a palavra que caraterizou o último ano foi “pós-verdade”. Um adjetivo que significa “relating to or
denoting circumstances in which objective facts are less influential in shaping
public opinion than appeals to emotion and personal belief” (The Guardian, 15/11/2016). Em Portugal, para designarem
os discursos que assim “moldam a opinião pública”, algumas cliques
bem-pensantes tinham já adotado em força o substantivo “narrativa”.
"Realidade", "realidade", "realidade"...
O que me relembra o seguinte caso histórico, que descobri numa das minhas solitárias explorações juvenis dos livros esquecidos numa estante na falsa da casa que fora dos meus avós (o tempo, e o mundo, ficavam-me suspensos como os grãos de pó que oscilavam lentamente na faixa de luz doirada que entrava pela janela de uma guarita no telhado…), e de onde muitos anos depois parti numa argumentação sobre a realidade – base de quaisquer “objective facts”: “Em março de 1…
"Realidade", "realidade", "realidade"...
O que me relembra o seguinte caso histórico, que descobri numa das minhas solitárias explorações juvenis dos livros esquecidos numa estante na falsa da casa que fora dos meus avós (o tempo, e o mundo, ficavam-me suspensos como os grãos de pó que oscilavam lentamente na faixa de luz doirada que entrava pela janela de uma guarita no telhado…), e de onde muitos anos depois parti numa argumentação sobre a realidade – base de quaisquer “objective facts”: “Em março de 1…