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Mensagens

Pelo natal, quero resposta ao maior enigma particular da ciência moderna

Foi na sacristia de uma igreja que fui confrontado com essa questão, e a aparente desapropriação do local creio que ainda me a tornou mais enigmática: há anos – demasiados, considerando que quase nada avancei nela desde que me foi colocada! – passei pela Igreja do Campo Grande, em Lisboa (onde vivia na altura), para me encontrar com o Pe. João Resina Rodrigues, ilustre professor de física do Instituto Superior Técnico e doutorado em filosofia. Ele iria emprestar-me um livro que acabara de receber sobre o espaço e o tempo. E ao entregar-mo, no sossego da sua sacristia, com um leve sorriso me pareceu que entre divertido pela confusão que deveria provocar, e a inspeção da perceção do alcance das suas palavras, perguntou: como é possível que os nossos cálculos matemáticos se apliquem à Natureza?

Enigma na sacristia...

Esta questão é provavelmente a mais crucial, mas também a mais intratável, de entre todas as que se colocam às ciências modernas. Condicionando desde algumas metodologias cien…

Populismo... e avaliação civilizacional do Ocidente (e dos EUA, diretos desde o "Yes we can" às promessas de Trump)

Exemplo de obra clássica

Cada homem passa. Alguns são génios - são os que criam obras clássicas. Estas não passam. E cada uma é única, apesar de todas elas convergirem aproximadamente para as mesmas duas ou três ideias.

Facebook, Snapchat... e as relações simétricas entre tecnologia e sociedade

Na semana da Web Summit o tema impõe-se: que relações se estabelecem entre a tecnologia e a sociedade? Reflitamos sobre a eventual experiência de uma leitora que esteja a ler estas palavras no seu smartphone, intercalando com uns saltos ao facebook, enquanto espera na sala de embarque de um aeroporto rumo a Lisboa.

A geração Y, a geração Z, e a geração silenciosa

Porventura terá escolhido os voos de ida e volta numa aplicação desse aparelho que lhos tenha selecionado segundo preços, horários e escalas. Assim como o local de alojamento em Lisboa, e porventura o carro alugado. Tendo ela não só nessa altura marcado e pago tudo isso também com o smartphone, como o terá utilizado ontem para fazer o check-in em casa enquanto jantava, trazendo o cartão de embarque digitalizado para ser lido oticamente nos controlos do aeroporto. Enfim, antes de responder à chamada para o embarque, essa leitora poderá fazer um breve comentário a esta crónica naquela rede social. E enquanto muda o smartphone para…

"Os Últimos Dias da Humanidade" - A raiz desse fim na própria obra de K. Kraus

Faz hoje exactamente 1 semana que o Teatro Nacional São João apresentou a Parte III ("A Última Noite") da 1ª encenação em Portugal da peça Os Últimos Dias da Humanidade, do dramaturgo austríaco Karl Kraus - sobre a vertigem europeia entre o espoletar da Grande Guerra e o prenúncio dos novos tempos após esta última.
A 1ª parte do espetáculo é composta por uma sucessão de pequenas cenas, praticamente sem ordem narrativa nem interligação lógica. Cada uma delas apresenta uma situação pontual - desde um diálogo entre uma dona de casa alemã e outra austríaca (impérios aliados na I G.M.), até uma reunião de psiquiatras para diagnosticarem um refractário à guerra... atravessados por passagens de ardinas anunciando as últimas notícias da frente. Quais peças soltas de um grande mosaico cujos contornos se vão assim paulatinamente precisando ante o espectador.
A 2ª parte fica marcada pela sucessão de meia dúzia de monólogos denunciando, e mesmo teorizando as raízes perversas da guerra -…

Nobel 2016: uma janela sobre a ciência e a Natureza modernas

Também poderíamos tomar o recente prémio Nobel que distinguiu o isolamento de um estado da Natureza que… não é natural (o plasma), e as expetativas computacionais (quânticas) que isso faculta. Ou até outro destes últimos Nobel que promete avanços nos combates ao cancro, alzheimer… na base de estudos apenas sobre fungos (leveduras). Mas, para reentreabrirmos a janela sobre caraterísticas das ciências modernas que entreabrimos aqui em junho passado na efeméride secular de um artigo de Einstein, tomemos apenas o prémio Nobel de química 2016. Para o que aos leigos como eu convém começar por recordar o 3º ciclo do ensino básico: chama-se “molécula” ao elemento mais pequeno da matéria que ainda apresente as propriedades que distinguem cada substância (água, hélio…). Em regra esta identidade qualitativa, ou os comportamentos próprios da substância, depende, de um lado, dos tipos de átomos que compõem a molécula (chama-se “átomo” à unidade mais pequena que se encontra espontaneamente na Nature…

Filosofia (metafísica) vs. história vs. entretenimento (...vs. parasitismo)

O que é a filosofia?
Uma disciplina autónoma? Um mero entretenimento? Ou - entre essas duas possibilidades - um dos momentos (não autónomos) de qualquer processo que produz (assim sem a inconsequencialidade lúdica) conhecimento?

Sobre a filosofia moderna e contemporânea:


Particularmente em relação à metafísica, J. Wilson argumenta a favor daquela 3ª hipótese. Fiz aproximadamente o mesmo uns anos antes em relação à filosofia em geral (mas reportando-me particularmente a questões metafísicas).
Daí no entanto decorrerá que o leigo têm razão em relação a grande parte do que tem recebido o rótulo "filosofia"...

"... it is possible to identify, in contemporary metaphysical practice and theorising, certain operative conceptions of metaphysics that are individual enough to allow for a reasonable assessment of whether they have the resources for defending metaphysics as a non-redundant and intelligible discipline. Here I'll focus on two, or maybe two-and-a-half.
The first ap…