Em época de pôr as leituras em dia, nenhuma obra
merecerá mais essa atenção do que a Ilíada.
Na qual se encontra – além do resto! – uma das mais comoventes passagens (do
pouco que conheço) da história da literatura: Heitor, príncipe de Tróia, ao se
dirigir para o combate onde representará a sua cidade contra Aquiles, campeão
grego e melhor de todos os guerreiros, cruza-se com a esposa mais o filho. E, a
caminho da sua quase certa morte violenta, para não assustar a criança com uma
imagem bélica, Heitor tira o capacete ao se despedir de ambos. O enigma de Heitor Fosse o príncipe troiano determinado hereditariamente,
ou pela sua educação, ou pela circunstância do cerco dos gregos… qual espécie
de marioneta, e nele ou não haveria lugar a grande cuidado com uma criança, à
margem da caminhada para o combate final. Ou, como Páris, tentaria furtar-se a
este último, reduzindo-se à vivência das emoções amorosas. Mas, em Heitor,
houve lugar a estas e ao combate
mortal. Duas interpretações são poss…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)