Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Uma janela de 100 anos sobre a ciência contemporânea - O primado da razão

Faz este mês exatamente um século que Albert Einstein publicou o artigo com um pormenor decisivo para a validade da teoria geral da relatividade (publicada em 2015): a previsão de ondas gravitacionais na base desta teoria. Daí o relevo que a comunicação social, em fevereiro passado, deu à interpretação de uma certa medição como sendo a deteção de ondas gravitacionais. Além do justo alvoroço nos meios estritos da física, esse processo parece-me revelador do que são em geral as ciências modernas e contemporâneas. Desde logo, sobre quão estas últimas têm vindo a afastar-se da observação espontânea do mundo natural e das relações sociais, e a privilegiar o exercício da razão. Um tempo vs. muitos tempos Einstein foi exemplo disso já com a teoria restrita da relatividade, em 1905, face a um problema com as medições da velocidade da luz – Pelo menos desde o best-seller Breve História do Tempo, de Stephen W. Hawking (1988), não faltam ao leitor apresentações avalizadas desse momento da história …

A cabeça não é a oitava maravilha

Quando a cabeça está convencida / De que ela é / A oitava maravilha / O corpo é que paga / O corpo é que paga. / Deixa sofrer, deixa sofrer / Se isso te dá prazer…

Filosofia: Modernidade vs. séc XXI

Contra António Variações se ergueu a maioria dos filósofos do séc. XX, e mesmo boa parte da filosofia das ciências desse período. Argumentavam que o que chamamos “realidade” será uma projeção da nossa forma de perceção, de pensar e dizer… Mesmo as elaboradíssimas justificações científicas, que certeza nos poderão facultar quando verificamos que as ciências nos garantem hoje teses com a mesma segurança com que ontem nos garantiam o contrário? Quando nos apercebemos das influências sociais, religiosas, políticas… sobre investigações científicas, e mesmo sobre algumas formulações dos seus resultados? Um (não é o único) grão de areia nessa engrenagem teórica, como muito bem aponta o cantor português, é que depois, à conta disso, algum “corpo” recebe uma conta para pagar. Ou seja, haverá alguma …

Longas séries da economia portuguesa (1961-2017, e 1820-2005)

Para uma percepção global do desempenho sócio-económico português:

... na linha destaabordagem, e desta:

As duas condições primordiais do atraso do povo português nos últimos dois séculos

Terá o dedo de Salgueiro Maia sido livre no gatilho?

Celebramos esta semana a liberdade política em Portugal. Ainda que eu me encontre entre os que julgam que a estabilização dessa liberdade se celebra a 25 de novembro, reconheço naturalmente que este processo – cumprido naquele dia de 1975 – começou na madrugada de 24 para 25 de abril de 1974, quando uma coluna de cavalaria, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, partiu de Santarém rumo ao Terreiro do Paço.

Enquanto não me perguntam, sei que somos livres, mas quando me perguntam...

Reconheço-o… enquanto me furto ao conhecimento de tipo científico. Que no seio deste as coisas complicam-se. Designadamente, é plausível que nenhum de nós seja livre – por exemplo, logo na (suposta!) decisão de mover ou não o indicador sobre o gatilho de uma G3. Ora, se nem neste simplicíssimo movimento formos livres, como o seremos em comportamentos mais complexos? Tomemos um dos casos científicos que mais tem sido invocado a favor do determinismo da vontade humana: experiências do tipo das que David Libet apr…

Sousa Lopes - Uma depuração da vida

Exposição no Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado):

1º andamento [antes da Grande Guerra] - Humano, demasiado humano: o mundo do homem.

2º andamento [Grande Guerra] - A obra liberta-se do criador, ou o homem ao espelho - Frankenstein!

3º andamento [depois da Grande Guerra] - Simplicidade: o homem no mundo; a natureza, o trabalho, e o amor.

Sobre a eutanásia e as suas duas questões

O manifesto do movimento “Direito a morrer com dignidade”, a favor da despenalização da eutanásia, espoletou um debate público no qual julgo que frequentemente se têm confundido duas questões. Uma pessoal e íntima, a outra político-jurídica.

2 questões logicamente irredutíveis

Na primeira questão discute-se a bondade, ou falta dela, da eutanásia, mediante perguntas como: “O que é que eu pretendo que me façam, se vier a cair numa condição irreversível de sofrimento intolerável e permanente (de origem física ou psicológica), se perder a autonomia e a consciência, etc.?”. “O que é que eu aceito que se faça ao meu cônjuge, filho… se ele/a cair em tal situação, e peça (ainda consciente, e continuadamente) a eutanásia?”. Talvez até: “O que é que aconselho os outros a fazer?”. Em troca, a questão política é a da determinação de quem responderá a tais perguntas: o Estado, ou cada pessoa? Mais precisamente, deve o Estado recusar tal possibilidade aos indivíduos, ou deve abster-se de interferir n…