Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Longas séries da economia portuguesa (1961-2017, e 1820-2005)

Para uma percepção global do desempenho sócio-económico português:

... na linha destaabordagem, e desta:

As duas condições primordiais do atraso do povo português nos últimos dois séculos

Terá o dedo de Salgueiro Maia sido livre no gatilho?

Celebramos esta semana a liberdade política em Portugal. Ainda que eu me encontre entre os que julgam que a estabilização dessa liberdade se celebra a 25 de novembro, reconheço naturalmente que este processo – cumprido naquele dia de 1975 – começou na madrugada de 24 para 25 de abril de 1974, quando uma coluna de cavalaria, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, partiu de Santarém rumo ao Terreiro do Paço.

Enquanto não me perguntam, sei que somos livres, mas quando me perguntam...

Reconheço-o… enquanto me furto ao conhecimento de tipo científico. Que no seio deste as coisas complicam-se. Designadamente, é plausível que nenhum de nós seja livre – por exemplo, logo na (suposta!) decisão de mover ou não o indicador sobre o gatilho de uma G3. Ora, se nem neste simplicíssimo movimento formos livres, como o seremos em comportamentos mais complexos? Tomemos um dos casos científicos que mais tem sido invocado a favor do determinismo da vontade humana: experiências do tipo das que David Libet apr…

Sousa Lopes - Uma depuração da vida

Exposição no Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado):

1º andamento [antes da Grande Guerra] - Humano, demasiado humano: o mundo do homem.

2º andamento [Grande Guerra] - A obra liberta-se do criador, ou o homem ao espelho - Frankenstein!

3º andamento [depois da Grande Guerra] - Simplicidade: o homem no mundo; a natureza, o trabalho, e o amor.

Sobre a eutanásia e as suas duas questões

O manifesto do movimento “Direito a morrer com dignidade”, a favor da despenalização da eutanásia, espoletou um debate público no qual julgo que frequentemente se têm confundido duas questões. Uma pessoal e íntima, a outra político-jurídica.

2 questões logicamente irredutíveis

Na primeira questão discute-se a bondade, ou falta dela, da eutanásia, mediante perguntas como: “O que é que eu pretendo que me façam, se vier a cair numa condição irreversível de sofrimento intolerável e permanente (de origem física ou psicológica), se perder a autonomia e a consciência, etc.?”. “O que é que eu aceito que se faça ao meu cônjuge, filho… se ele/a cair em tal situação, e peça (ainda consciente, e continuadamente) a eutanásia?”. Talvez até: “O que é que aconselho os outros a fazer?”. Em troca, a questão política é a da determinação de quem responderá a tais perguntas: o Estado, ou cada pessoa? Mais precisamente, deve o Estado recusar tal possibilidade aos indivíduos, ou deve abster-se de interferir n…

A economia é uma ciência... ou será engenharia, artesanato?

Particularmente neste período em que se discute se as receitas assumidas no Orçamento do Estado são ou não prováveis, e se a opção da atual maioria parlamentar por uma política económica pelo lado da procura (aumento de salários…) é ou não prometedora no contexto económico português, a pergunta acima não é de todo um fait divers, ou uma especulação gratuita. Ao contrário, é absolutamente determinante, e urgente. Pois ao conhecimento de tipo científico é reconhecida uma muito maior fiabilidade do que ao senso comum, particularmente em questões complexas. O que nos convida a confiar nos economistas “cientistas”… se os há. Caso contrário, maior crédito merecerão uns economistas, digamos, “engenheiros”, “artesãos”… A questão coloca-se em especial desde o fim do séc. XVIII, quando Adam Smith e os consequentes economistas clássicos pretenderam equacionar os fenómenos económicos à imagem do que Galileu, Kepler, Newton… tinham já feito, com extraordinário sucesso, aos fenómenos físicos.

Uma econ…

Da essência da tecnologia - Um caso açoriano

No nosso quotidiano, da leitura deste jornal impresso ou online à bebida de um café tirado de uma máquina, compreender a tecnologia é esclarecer boa parte do que vivemos e somos. Procuremos então caracterizá-la, primeiro na base de um caso de estudo açoriano, e depois ensaiando outra aplicação do conceito antes exemplificado.
Um caso propriamente açoriano

Tomemos o caso das ordenhas móveis - apresentadas por Fátima Amorim et al., no abrangente apesar de pequeno estudo Vacas leiteiras em pastoreio, da IDEASS, como “uma inovação açoriana” (p. 1). Aliás, “a inovação mais interessante no maneio das vacas leiteiras nos Açores (…) constituindo a base deste modelo produtivo” (p. 8). Os autores não sustentam esta sua última afirmação. Mas, intuitivamente, pelo menos não nos é difícil reconhecer às ordenhas móveis “uma grande vantagem nas zonas em que as explorações agrícolas possuem terrenos com muitas parcelas, dispersas por vários locais” (ibid.). Este caso ilustra assim a condição de se apres…