«What could now sustain them but
the spirit of God and His grace?», escreveu William Bradford ao constatar a
resistência dos seus companheiros ao rigor daquele primeiro inverno nesse outro
lado do oceano. O lugar era a costa do que veio a chamar-se “Massachusetts”. A
primavera era a de 1621. E essa foi a colónia constituída pelos sobreviventes
dos cento e dois tripulantes que, com uma carga de provisões e uma licença para
se estabelecerem na América, tinham partido de Plymouth no Mayflower, e ali desembarcaram a 11 de Dezembro**.
Na sua interpretação calvinista,
eles eram os novos Peregrinos, e, como o povo judeu fugindo do Egipto para a
Terra Prometida, tinham virado as costas a uma Europa que se teria desviado da
Palavra de Deus, e estavam iniciando uma res
publica que haveria de cumprir enfim a vontade do Criador. Pois supunham
que Deus os havia escolhido, que lhes falava como tinha feito a Moisés –
segundo Calvino a letra da Bíblia é a Palavra de Deus, assim
imediatamente compree…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)