Num dos mais célebres textos da nossa história das
ideias, apresentado no Casino Lisbonense a 27 de maio de 1871, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares
nos Últimos Três Séculos, Antero de Quental reconheceu ter-se tornado
crónica uma decadência socioeconómica de Portugal em relação aos seus pares
europeus. Tendo argumentado que esse fenómeno radicaria na cultura moderna
portuguesa. E que, nesta, seriam três as “causas” da nossa decadência, Das quais
pelo menos as duas primeiras partilham uma desvalorização da racionalidade
crítica – e assim do espírito das ciências modernas. Em vésperas do dia de Portugal, aqui regresso ao
diálogo com esse meu ilustre conterrâneo, para acrescentar um comentário em prol
do reforço da cultura própria a essas ciências no seio da cultura com que nos
definimos coletivamente. Regresso assim também a um dos livros que, em troca,
restaram dos mais “ignorados” da nossa história editorial recente (como
escreveu, creio que na única menção que por um momento …
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)