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Mensagens

Industrialização e "conjuntos sociotecnológicos" - O caso dos laticínios açorianos

As verbas do novo Quadro Comunitário de Apoio, e do programa do BCE para compra de dívida aos bancos europeus, estão supostamente destinadas à produção de bens e de serviços transacionáveis, e em particular a uma reindustrialização de Portugal e da Europa. Urge porém esclarecer se bastam a promulgação de regulamentos e a disponibilidade financeira, mais a capacidade tecnológica igualmente disponível, para que tais processos industriais e produtivos se cumpram. Ou se, ao contrário, para este cumprimento teremos de cuidar ainda de outras condições. E neste caso, quais. A primeira dessas teses – que aqui discuti há perto de um ano – é a “de um determinismo tecnológico – a tecnologia seria a variável independente de uma função de alterações sociais”. A segunda convoca o que Wiebe Bijker (Of Bicycles, Bakelites, and Bulbs: Toward a Theory of Sociotechnical Change) chamou “conjuntos sociotecnológicos”. A favor dos quais julgo colocar-se o caso da modernizaçãodos laticínios açorianos, em part…

"Aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo" (J. Santayana y Borrás)

Em vez de se aproveitar o 1º edifício da 1ª fábrica moderna em S. Miguel, da mais importante fileira
económica dos Açores, para um museu da economia, para uma escola técnica de produção leiteira e laticínios... além da preservação de património arquitectónico único - de modo que melhor se escolha que momentos do passado valerá a pena repetir, evitando uma "condenação" também aos erros antigos -

este é, há muitos anos e não se sabe por quantos mais, o destino que se deu a esse terreno no extremo oriental de Ponta Delgada

A modernização da indústria de laticínios em S. Miguel – 1937-1946

1.Refletindo sobre a exposição de Victor Machado de Faria e Maia[i], à data intendente de pecuária do distrito de Ponta Delgada, poderemos isolar o período entre 1937 – reunião de agosto na Junta Geral do distrito, com a proposta de uma modalidade de construção e exploração de uma moderna fábrica de laticínios (v. abaixo) – e 1946 – apetrechamento final dessa fábrica, começada a construir em 1942 mas noutra modalidade que não a inicialmente prevista e desejada, e “ultimato” aos restantes industriais locais pela Direção Geral dos Serviços Pecuários – como os anos decisivos não só para o crescimento quantitativo da fileira do leite em S. Miguel, até rapidamente assumir a primazia socioeconómica, como também para o modo como este processo se tornou possível. O parágrafo seguinte (2) apresenta resumidamente essa exposição do intendente de pecuária, para na sua base analisarmos nos parágrafos consequentes as movimentações no setor em S. Miguel ao longo desse período (3.1, 3.2), e reconhecer…

Em 2015 continuo a supor que poderíamos ter pedido baunilha...

Ao longo do ano há pouco terminado, o Edge.org colocou à discussão a questão What scientific idea is ready for retirement? Jerry Coyne apontou como resposta a ideia de livre-arbítrio:

Não, não poderíamos tê-la pedido

“When pressed, nearly all scientists and most philosophers admit this. Determinism and materialism, they agree, win the day. But they're remarkably quiet about it. Instead of spreading the important scientific message that our behaviors are the deterministic results of a physical process, they'd rather invent new "compatibilist" versions of free will: versions that comport with determinism. "Well, when we order strawberry ice cream we reallycouldn'thave ordered vanilla", they say, "but westill have free will in another sense. And it's the only sense that's important."”             Duvido que o sentido compatibilista de “livre-arbítrio” seja o único que é importante… ou sequer que importe significativamente. Depois, no meu esc…

Manifesto por uma cultura prescritiva (ag. 2013)

Numa entrevista a este jornal, a 26/11/2012, lembrei que “desde 1820 organizámo-nos republicana e monarquicamente, democrática e autoritariamente, como país europeu e como império ultramarino, proclamámo-nos sociais-democratas e conservadores… mas o nosso PIB per capita nunca saiu da banda entre os 40% e os 75% da média dos países que, desde 1993, constituem a União Europeia”. Longas séries como essa sugerem que, além das facilmente reconhecíveis responsabilidades pessoais e incoerência de sucessivos complexos institucionais, no problema português haverá também um factor cultural. Mas só vale a pena enfrentá-lo assumindo uma acepção prescritiva de “cultura”, em detrimento da acepção descritiva que no nosso país tem grassado mesmo em meios intelectuais que se afirmam opostos entre si. Julgo ser este o caso dos pós-modernos, que relativizam todas as práticas, ideias… às comunidades que as implementam, pelo que, sobre tais culturas, restará apenas descrever como se apresentam e desenvolvem. …

Habilidades de feira vs. bancos de escola

Com a aproximação do natal vem-me à memória uma série de argumentações, com base nas ciências naturais, que recorrentemente concluem com a inexistência de um Criador. Simetricamente à literatura de cordel que, eventualmente invocando a mesma base, anuncia antes uma fórmula de Deus. Na verdade, seria esplêndido se entre tubos de ensaio ou demonstrações de teoremas se resolvesse esta questão – para um lado ou para o outro. Infelizmente, porém, os grãos podem começar a entrar na engrenagem dessa resolução logo na dispensa dos primeiros bancos da antiga escolástica.              Onde os futuros teólogos, juristas ou médicos, além de gramática e retórica, estudavam lógica, ficando alertados contra falácias como a do “homem de palha” – por referência ao alvo de golpes e investidas nos treinos dos cavaleiros: 1º) assume-se um determinado inimigo; 2º) desvia-se a investida para um seu simulacro; 3º) derruba-se este último; 4º) anuncia-se a vitória sobre, não uma mera figura de palha, mas o gue…