Numa entrevista a este
jornal, a 26/11/2012, lembrei que “desde 1820 organizámo-nos republicana e
monarquicamente, democrática e autoritariamente, como país europeu e como
império ultramarino, proclamámo-nos sociais-democratas e conservadores… mas o
nosso PIB per capita nunca saiu da
banda entre os 40% e os 75% da média dos países que, desde 1993, constituem a
União Europeia”. Longas séries como essa
sugerem que, além das facilmente reconhecíveis responsabilidades pessoais e
incoerência de sucessivos complexos institucionais, no problema português
haverá também um factor cultural. Mas só vale a pena
enfrentá-lo assumindo uma acepção prescritiva
de “cultura”, em detrimento da acepção descritiva
que no nosso país tem grassado mesmo em meios intelectuais que se afirmam
opostos entre si. Julgo ser este o caso dos
pós-modernos, que relativizam todas as práticas, ideias… às comunidades que as
implementam, pelo que, sobre tais culturas, restará apenas descrever como se
apresentam e desenvolvem. …