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Mensagens

Manifesto por uma cultura prescritiva (ag. 2013)

Numa entrevista a este jornal, a 26/11/2012, lembrei que “desde 1820 organizámo-nos republicana e monarquicamente, democrática e autoritariamente, como país europeu e como império ultramarino, proclamámo-nos sociais-democratas e conservadores… mas o nosso PIB per capita nunca saiu da banda entre os 40% e os 75% da média dos países que, desde 1993, constituem a União Europeia”. Longas séries como essa sugerem que, além das facilmente reconhecíveis responsabilidades pessoais e incoerência de sucessivos complexos institucionais, no problema português haverá também um factor cultural. Mas só vale a pena enfrentá-lo assumindo uma acepção prescritiva de “cultura”, em detrimento da acepção descritiva que no nosso país tem grassado mesmo em meios intelectuais que se afirmam opostos entre si. Julgo ser este o caso dos pós-modernos, que relativizam todas as práticas, ideias… às comunidades que as implementam, pelo que, sobre tais culturas, restará apenas descrever como se apresentam e desenvolvem. …

Habilidades de feira vs. bancos de escola

Com a aproximação do natal vem-me à memória uma série de argumentações, com base nas ciências naturais, que recorrentemente concluem com a inexistência de um Criador. Simetricamente à literatura de cordel que, eventualmente invocando a mesma base, anuncia antes uma fórmula de Deus. Na verdade, seria esplêndido se entre tubos de ensaio ou demonstrações de teoremas se resolvesse esta questão – para um lado ou para o outro. Infelizmente, porém, os grãos podem começar a entrar na engrenagem dessa resolução logo na dispensa dos primeiros bancos da antiga escolástica.              Onde os futuros teólogos, juristas ou médicos, além de gramática e retórica, estudavam lógica, ficando alertados contra falácias como a do “homem de palha” – por referência ao alvo de golpes e investidas nos treinos dos cavaleiros: 1º) assume-se um determinado inimigo; 2º) desvia-se a investida para um seu simulacro; 3º) derruba-se este último; 4º) anuncia-se a vitória sobre, não uma mera figura de palha, mas o gue…

Da inflexão de Lisboa aos pressupostos de William Penn

Na passagem do testemunho entre 2 Comissões europeias - num dia em que crescem as notícias sobre como o novo presidente da Comissão traiu a solidariedade europeia durante os 18 anos em que foi Primeiro Ministro do Luxemburgo! - vêm a propósito as previsões que decorriam deste artigo que escrevi para o antigo O Primeiro de Janeiro, publicado a 31/12/2007 sobre a iminente assinatura do Tratado de Lisboa... sobre perspetivas para novembro de 2014...


Quando daqui a dias os representantes dos povos europeus encetarem a ratificação doTratado de Lisboa(in: http://edicao.portaldocidadao.pt), estarão encetando mais um capítulo da história do projecto de unificação política da Europa iniciado no séc. XIV. Interpretarei aqui essa história na base da definição de “política” – âmbito da procurada unidade europeia – como o jogo de determinação de uma comunidade, travado entre agentes com interesses porventura divergentes, e com poderes normalmente assimétricos mas sem que algum jogador, de facto, ten…

A técnica e o sítio que foi feito para se pôr uma ponte entre ela e a ciência

No dia 5 deste mês passam 40 anos sobre a inauguração de uma das mais relevantes obras de arte de Edgar Cardoso: a ponte Nobre de Carvalho, que liga Macau peninsular e a ilha de Taipa. Ainda que, para o meu gosto, não chegue ao nível dessa escultura sobre o Douro que é a ponte de S. João, o uso aqui de “obra de arte” ultrapassa o sentido estrito que julgo dar-se-lhe em engenharia civil (uma obra única). Exemplificando quão a técnica é outra coisa que não mera ciência aplicada.

Da criatividade a jusante...

Assim a apresentação dessa ponte, no Heritage of Portuguese Influence Portal, começa e termina não pelas teorias que expliquem a sua estabilidade, ou por números relativos ao tamanho do vão, à quantidade de aço utilizado… mas, neste caso, pela dimensão simbólica (por onde também começa este belíssimo vídeo da Ordem dos Engenheiros, do qual infelizmente não encontro a versão completa).



No seio da polissemia que distingue as obras de arte dos meros utensílios, a ponte Nobre de Carvalho é …

Chover no molhado é bom para tempos de vacas gordas... mas agora urgem efetivos "agulheiros"

Faz hoje 1 ano que, na esteira de um livro ignorado desde 2012, meia dúzia de nós i) considerámos uma longa série económica portuguesa e outros indicadores para reconhecermos um crónico problema nacional; que ii) o equacionámos em conformidade à grande probabilidade de ter uma raiz subjacente às instituições e opções político-económicas; e que iii) balizámos a estratégia de implementação da sua resolução.
É natural que ao longo destes últimos anos, em outras salas igualmente ignoradas ao longo do país, outras meias dúzias de pessoas tenham reconhecido, equacionado, e projetado - quando não mesmo encetado - uma resolução do nosso problema coletivo.
Entretanto, a inteligentsia que na capital tem os meios para se fazer ouvir no país, ainda há 1 mês tomava como suficiente o passo (i)... Enquanto os indicadores abaixo parecem querer melhorar, é menos mau que assim se reconheça e alerte as pessoas para um nosso problema crónico, que limitará ou condicionará quaisquer pequenas recuperações pon…

Religião e ciência - Uma refutação da mui badalada prova da inexistência de qualquer Criador por R. Dawkins

Dawkins argumenta que i) o darwinismo é um esquema ajustado para se pensar o cosmos, e ii) nesta cosmovisão o postulado de um Criador... é uma "delusion".
- "uma crença persistente, mantida apesar da forte evidência em contrário, sobretudo como sintoma de um distúrbio psiquiátrico"... Acabei por ter de lhe devolver esta classificação na p. 26 deste artigo.

No diagrama geral que fiz (pelo que percebi...) da argumentação de Dawkins - em 21 premissas /conclusões intermédias + a conclusão (enunciado 22) - sublinhei os enunciados 7 e 12 cuja pressuposição, julgo, constitui o calcanhar deste célebre aquiles contemporâneo (i.e. do argumento, não do respetivo autor!)

"O volume nasce do nada..."

A propósito dos comentários a "La réalité n'existe pas", é este o antigo artigo que referi a Carlos Fernandes no comentário de 11/08.
A crítica que fiz à argumentação hegeliana desenvolve-se a partir do 2º parágrafo desta p. 445. Julgo que se ela ou outra crítica equivalente for válida, e se não se aceitar outra argumentação equivalente àquela mas livre destas objeções, então não se poderá estender à realidade material a afirmação matemática de que "o volume nasce do nada". E a questão passa a ser a de como as estruturas matemáticas têm sucesso na explicação da realidade material...