Com
a aproximação do natal vem-me à memória uma série de argumentações, com base
nas ciências naturais, que recorrentemente concluem com a inexistência de um
Criador. Simetricamente à literatura de cordel que, eventualmente invocando a
mesma base, anuncia antes uma fórmula de Deus. Na verdade, seria esplêndido se entre
tubos de ensaio ou demonstrações de teoremas se resolvesse esta questão – para
um lado ou para o outro. Infelizmente, porém, os grãos podem começar a entrar
na engrenagem dessa resolução logo na dispensa dos primeiros bancos da antiga
escolástica. Onde os futuros teólogos, juristas ou médicos,
além de gramática e retórica, estudavam lógica, ficando alertados contra
falácias como a do “homem de palha” – por referência ao alvo de golpes e
investidas nos treinos dos cavaleiros: 1º) assume-se um determinado inimigo;
2º) desvia-se a investida para um seu simulacro; 3º) derruba-se este último;
4º) anuncia-se a vitória sobre, não uma mera figura de palha, mas o gue…
"Deus move o jogador que move a peça. / Que deus atrás de Deus o ardil começa / De pó e tempo e sonho e agonias?" - Ou será a peça aquele deus? Se não o for o jogador... (em diálogo com J.L. Borges, Xadrez)