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"O volume nasce do nada..."

A propósito dos comentários a "La réalité n'existe pas", é este o antigo artigo que referi a Carlos Fernandes no comentário de 11/08.
A crítica que fiz à argumentação hegeliana desenvolve-se a partir do 2º parágrafo desta p. 445. Julgo que se ela ou outra crítica equivalente for válida, e se não se aceitar outra argumentação equivalente àquela mas livre destas objeções, então não se poderá estender à realidade material a afirmação matemática de que "o volume nasce do nada". E a questão passa a ser a de como as estruturas matemáticas têm sucesso na explicação da realidade material...

"La réalité n'existe pas"

Este é o provocante título do número de julho-agosto da revista de divulgação científica La Recherche (Nº 489), em função do seu Dossier “Qu’est-ce que le réel?”. Ou mais precisamente, e parafraseando a pergunta de Einstein no título do artigo de P. Ball (pp. 30-34): será que a cerveja que há pouco poisei ao meu lado, tão fresca e borbulhante depois do primeiro gole, aí continua enquanto tenho o olhar poisado nessa estimulante leitura de férias? A resposta do modelo standard da física, no artigo referido e alguns seguintes, é paradoxal. De um lado, pretende-se conceber a cerveja por redução sua a um pequeno menu de partículas e respetivas forças de interação. Mas, do outro lado, enquanto a montagem destas últimas no que chamamos “cerveja” bem parece manter-se entre dois goles, as suas partículas apenas ficam determinadas em cada observação – A parede mantém-se, mas não os seus tijolos!

Um universo platonista

O Dossier começa logo com uma resposta geral ao respetivo título, na entrevista …

Da arte dramática - Prefácio a As Cinco Batalhas de Coimbra (imagens do interior)

As Cinco Batalhas de Coimbra (apresentação)

Sinopse:
Durante o estertor da antiga ordem europeia, pelo enfraquecimento do Sacro Império Romano-Germânico e do papado, eclode em Portugal a guerra civil de 1321 a 1324. Na qual as forças comandadas por D. Dinis cercam Coimbra, na posse dos apoiantes do infante D. Afonso, cujo exército vem socorrer a cidade. Enquanto espera, o soberano confronta-se com as grandes escolhas que se abrem nessa guerra. E, ao decidir nelas, não só resolve a sua estratégia no conflito com o herdeiro do trono, como identifica o reino português, e o dispõe para uma nova era europeia, cuja alvorada irrompe assim no extremo ocidental deste continente. Nessa resolução resta porém uma falha que, no crepúsculo de tal modernidade, abrirá de novo o campo da batalha decisiva.


Um livro digital para leitores de textos dramáticos (teatro)... mas apenas se se interessarem por conflitos intelectuais,
e apenas se visarem raízes para além da informação que diariamente enche a comunicação social, e apenas se participarem em…

Por uma assunção da retórica na ciência

No início do mês passado ocorreu no Porto o II Congresso de Comunicação de Ciência – SciCom PT 2014 – cujo Livro de Resumosdá bem conta da enorme diversidade e fecundidade dos temas ali abordados, designadamente sobre a relação entre a referida comunicação e o desenvolvimento. Que esse Congresso quase tenha passado ao lado não só dos opinion makers nacionais, mas até dos simples noticiários, pese embora o reconhecimento comum quer do impacto das ciências e tecnologias na vida quotidiana, quer simetricamente do condicionamento social sobre a atividade tecnológica e científica, será mais um sinal da “dificuldade em conseguir chamar a atenção do público para conteúdos de ciência, num ambiente tão carregado de informação e entretenimento”. Aliás tenho a ideia de que foi precisamente nesses dias que a seleção pisou solo americano, encontrando-se cada câmara da televisão portuguesa, cada correspondente da nossa imprensa, dedicados a informar-nos sobre a ordem exata pela qual os jogadores saí…

A big science, o cientismo revisitado, e o primo do Harry Potter

Em mais uma das suas inestimáveis intervenções culturais e cívicas, a Fundação Francisco Manuel dos Santos não só convidou o Nobel de Fisiologia/Medicina Sir Paul Nurse a apresentar uma comunicação “about how science enhances our culture and our civilization...”, no passado dia 24 de janeiro, como ainda a disponibiliza online bem como a uma pequena entrevista ao também presidente da Royal Society[1].

A fé de Sir Paul

Começou o conferencista por afirmar (ou argumentar?…) que “science matters (…) improving the quality of our lives”, da saúde às comunicações, passando pelo aquecimento doméstico, a alimentação mundial, etc. Mas, continuou, “to be successful” a ciência tem que se comprometer plenamente com a sociedade, e que funcionar multi- e interdisciplinarmente. Além destas condições intrínsecas, o sucesso da investigação numas paragens (ex. Portugal) dependerá extrinsecamente do respetivo esforço de financiamento não ser substancialmente inferior ao esforço feito noutras localidades …