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A mostrar mensagens com a etiqueta CTS- como se fazem as ciências e técnicas?

Um Nobel de medicina que nem medicina sabe

A talho de foice das declarações de Sir Tim Hunt no mês passado – sobre um desejável apartheid de género nos laboratórios, para se corrigir a “dirupção científica” causada pelas paixões entre homens e mulheres, mais os choros delas, diz ele, quando ouvem críticas – julgo vir a lapidar frase de Abel Salazar: “o médico que só sabe medicina nem medicina sabe”. Uma vez porém que o Nobel e o grau de Cavaleiro lhe foram atribuídos não por uma sua inovação no tratamento de algumas doenças, mas pelos resultados da sua investigação no âmbito da fisiologia, deveremos ajustar o juízo numa paráfrase. Como talvez esta: o investigador que do processo só sabe os resultados nem os resultados sabe.

Em defesa de Sir Tim

Confesso que sinto por Sir Tim a simpatia por quem rompe com a ditadura do social e culturalmente correto. Mas a tentativa (!) de objetividade obriga-me a nem por isso deixar de julgar que errou. Por defeito, não por excesso. E no sentido da resposta a dar ao problema, não no reconheciment…

A técnica e o sítio que foi feito para se pôr uma ponte entre ela e a ciência

No dia 5 deste mês passam 40 anos sobre a inauguração de uma das mais relevantes obras de arte de Edgar Cardoso: a ponte Nobre de Carvalho, que liga Macau peninsular e a ilha de Taipa. Ainda que, para o meu gosto, não chegue ao nível dessa escultura sobre o Douro que é a ponte de S. João, o uso aqui de “obra de arte” ultrapassa o sentido estrito que julgo dar-se-lhe em engenharia civil (uma obra única). Exemplificando quão a técnica é outra coisa que não mera ciência aplicada.

Da criatividade a jusante...

Assim a apresentação dessa ponte, no Heritage of Portuguese Influence Portal, começa e termina não pelas teorias que expliquem a sua estabilidade, ou por números relativos ao tamanho do vão, à quantidade de aço utilizado… mas, neste caso, pela dimensão simbólica (por onde também começa este belíssimo vídeo da Ordem dos Engenheiros, do qual infelizmente não encontro a versão completa).



No seio da polissemia que distingue as obras de arte dos meros utensílios, a ponte Nobre de Carvalho é …

Por uma assunção da retórica na ciência

No início do mês passado ocorreu no Porto o II Congresso de Comunicação de Ciência – SciCom PT 2014 – cujo Livro de Resumosdá bem conta da enorme diversidade e fecundidade dos temas ali abordados, designadamente sobre a relação entre a referida comunicação e o desenvolvimento. Que esse Congresso quase tenha passado ao lado não só dos opinion makers nacionais, mas até dos simples noticiários, pese embora o reconhecimento comum quer do impacto das ciências e tecnologias na vida quotidiana, quer simetricamente do condicionamento social sobre a atividade tecnológica e científica, será mais um sinal da “dificuldade em conseguir chamar a atenção do público para conteúdos de ciência, num ambiente tão carregado de informação e entretenimento”. Aliás tenho a ideia de que foi precisamente nesses dias que a seleção pisou solo americano, encontrando-se cada câmara da televisão portuguesa, cada correspondente da nossa imprensa, dedicados a informar-nos sobre a ordem exata pela qual os jogadores saí…

A burocracia e as TIC (esta dádiva de algum deus suspeito!)

Em período de entrega das declarações do IRS pela internet… lembro-me da esperança, que terá sido bastante comum, de que a substituição das máquinas de escrever que quase não permitiam correções dos textos, dos grandes ficheiros de madeira ou metal, das resmas de papel, dos estafetas e correios, etc., pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC) digitalizadas, viesse, automaticamente, reduzir toda a sorte de papelada que não parece ter outra serventia além de impor uma autoridade que de outra forma se reduziria a uma dúzia de funções colaterais; que viesse aliviar a estrutura hierárquica, técnica e logística de boa parte daqueles postos que servirão especialmente bem os afilhados; que viesse agilizar e otimizar a tomada de decisão nas organizações. Para as quais, assim, os mais otimistas chegaram a propor a classificação de “infocráticas”, no lugar das organizações “burocráticas” da II Revolução Industrial.

Infocráticos... e bosquímanos

Foi também mais ou menos por essa altura …