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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2018

A corrida de bicicletas

Passado o inverno começam as corridas de bicicletas. Mas uma está em curso há já uns anos. Nela, há algum tempo atrás vinham os ciclistas a subir a montanha. Uns “trepadores” à frente, depois estendia-se o pelotão, mas todos progredindo com custo, naturalmente mais devagar do que tinham rolado antes na planície. Para trás do pelotão, quatro atletas começaram a arrastar-se até tenderem a cair para a berma. Num último fôlego gritaram por socorro. Os diretores das outras equipas disseram “Solidariamente, não podemos abandoná-los”, enquanto pensavam que sem concorrentes suficientes nem haveria prova para eles ganharem. Pelo que mandaram os seus carros irem rebocá-los até perto do cume da montanha. Quando lá chegaram, o candidato a diretor de uma destas equipas atrasadas inchou o peito e bradou “Não chega! Vocês têm é que pôr o nosso ciclista ao nível de todos por igual!” Os outros diretores nem lhe responderam. Mas o povo da vila que se fazia representar por essa equipa gostou da voz grossa,…

Da moralidade das caravelas… à necessidade de um Museu das Descobertas

A aproximar-se mais um 10 de junho, e com o levante que por aí vai pelo projeto de um museu das Descobertas, tomemos eticamente o caso das caravelas portuguesas. Perguntando-nos se em si mesmas, e com elas os respetivos designers e construtores, merecem a aprovação moral tanto dos europeus e suas extensões civilizacionais, quanto daqueles que para disso participarem enfrentam hoje a morte no Saara e Mediterrâneo, ou a caminho da fronteira entre o México e os EUA. Ou se merecem a condenação moral, por terem servido para transportar escravos, atacar povoações… Ou se ainda, como diria o sr. Lazar, caravelas não constroem globalizações, as mãos é que puxam as adriças e seguram a roda de leme, na escolha de transportar café ou escravos. Só os usos das caravelas terão sentidos morais Pela minha parte, fui apresentado a essa terceira tese – da neutralidade moral da tecnologia – pela resposta do referido armeiro: “Mr. Bond, as balas não matam. É o dedo que puxa o gatilho” (O Homem da Pistola Do…

O regresso de três velhíssimas questões

Vendo bem as coisas, neste fim da segunda década do séc. XXI fará sentido assinalar o dia do trabalhador a 1 de maio, e não a 12 de abril. Mas em qualquer caso, para entrarmos com os olhos abertos na terceira década deste século, teremos de os voltar para o séc. IV a.C. A revolta ludita Pois, de um lado, assinala-se hoje a grande manifestação de 1886 em Chicago, reivindicando a redução da jornada de trabalho para 8h. Redução?! Nestes tempos em que se precipitam notícias de máquinas – quer dizer, de coisas que desenvolvem, ou que se sucedem a outras que chamávamos “máquinas” – que a cada ano superam as expetativas do ano anterior sobre as suas próximas capacidades de reunião e tratamento de informação, de tomada de decisão, e até de geração por essas "máquinas" de comportamentos adequados com base em dados para cuja interpretação elas não recebem regras, ou seja, capacidade de “aprendizagem” nessa adequação, o que se perspetiva é a extinção de muitos postos de trabalho humano. O…