Avançar para o conteúdo principal

Diagrama das ideologias modernas


As ideologias modernas de matriz europeia são aqui concebidas como sistemas de 3 valores políticos, segundo diferentes hierarquias destes*.
Ou seja, o núcleo identificador de cada ideologia encontra-se no seu respeito prioritário por um dos valores políticos reconhecidos.
Assim as posições ideológicas devem ser representadas no espaço, determinadas por uma abcissa, uma ordenada e uma cota.

E não apenas no plano, a 2 dimensões (ainda que esta representação também funcione razoavelmente, ex. teste do Political Compass) - o que pode fragmentar cada ideologia, ou seja, negá-la na unidade que no entanto ela faculta na prática - ex. quem for mais liberal nos costumes do que na economia (ou vice-versa), no plano do P.C. encontra-se num dos quadrantes inferiores, mas, no eixo esq./dta., onde se encontra? Ora, tal como se alguém construir um "metro" mais curto, as coisas que depois meça não encolhem, o instrumento de medida é que está errado, também aqui não é essa pessoa que é incoerente - afinal mantém a defesa primordial da liberdade - o esquema é que está errado.
Ainda mais redutora e simplista (talvez também mais simples e assim funcional) é a habitual representação na reta - esquerda/direita - a qual nega cada ideologia (na sua singularidade complexa) em todas as dimensões além do critério de aplicação dessa recta (ex. além do grau de intervenção económica do Estado, etc.).
Outro defeito destas representações na reta e no plano é que permitem a posição absolutamente central. Mas esta constitui afinal a demissão política em todos aqueles almoços que não só não sejam grátis mas cujo preço seja considerável: quando em ambos os pratos da balança há prós e contras, só se escolhe por uma hierarquia de valores, negada naquele centro.

Nesta representação das referidas ideologias no espaço, sem o postulado de outras dimensões além das implicadas por cada ideologia, as posições políticas assinalar-se-ão:
O SOCIALISMO apenas verifica valores positivos relativamente à igualdade, mas aceita valores positivos ou negativos em relação à segurança e à liberdade. Nestes eixos (em que o centro de cada esfera foi colocado por mera convenção no ponto 2 da respetiva dimensão dominante), a posição (P) puramente socialista é constituída por valores atribuídos a respostas a algum inquérito cuja (daqueles valores) soma algébrica se encontre no intervalo entre 2 valores menos os valores do raio da esfera, e 2+r, na dimensão da igualdade, e 0 valores nas outras duas dimensões (P(s)=([2-r, 2+r], 0, 0)).
O CONSERVADORISMO apenas verifica valores positivos relativamente à segurança, mas aceita valores positivos ou negativos em relação à liberdade e à igualdade. Posição puramente conservadora: P(c)=(0, [2-r, 2+r], 0).
O LIBERALISMO apenas verifica valores positivos relativamente à liberdade, mas aceita valores positivos ou negativos em relação à igualdade e à segurança. Posição puramente liberal: P(l)=(0, 0, [2-r, 2+r]).
Em consequência, o liberalismo apenas se verifica em democracia - aliás constitui este regime (1 mulher/homem = 1 voto) - enquanto quer o socialismo quer o conservadorismo tanto podem ser democráticos como autoritários (abaixo do plano cinzento).
A hierarquização não permite a neutralidade ideológica absoluta - numa tecnocracia política (o raio das esferas não é suficiente para qualquer destas incluir a origem dos eixos).
Mas as grandes ideologias intersectam-se 2 a 2 - ex. o "liberalismo social" tende para o espaço azul/vermelho, o "liberalismo conservador" tende para o azul/verde, enquanto o "liberalismo clássico" (se sustentar uma liberdade meramente negativa tanto na economia quanto nos costumes sociais, educação...) se encontrará no espaço apenas azul.

* Cf. A. Heywood, Political Ideologies. An Introduction, 3ª ed., Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2003.

Comentários