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Filosofia (metafísica) vs. história vs. entretenimento (...vs. parasitismo)

O que é a filosofia?
Uma disciplina autónoma? Um mero entretenimento? Ou - entre essas duas possibilidades - um dos momentos (não autónomos) de qualquer processo que produz (assim sem a inconsequencialidade lúdica) conhecimento?
Particularmente em relação à metafísica, J. Wilson argumenta a favor desta 3ª hipótese. Fiz aproximadamente o mesmo uns anos antes em relação à filosofia em geral (mas reportando-me particularmente a questões metafísicas).
Daí no entanto decorrerá que o leigo têm razão em relação a grande parte do que tem recebido o rótulo "filosofia"...

"... it is possible to identify, in contemporary metaphysical practice and theorising, certain operative conceptions of metaphysics that are individual enough to allow for a reasonable assessment of whether they have the resources for defending metaphysics as a non-redundant and intelligible discipline. Here I'll focus on two, or maybe two-and-a-half.
The first approach is what I call the 'hands-off'' conception of metaphysics. On this approach, metaphysics should not meddle in other disciplines, or indeed, in what we ordinarily believe." (p. 91)

"I turn now to my preferred conception of metaphysics, which I call the 'embedded' conception. Here metaphysics is embedded in two ways: First, metaphysics is embedded in other disciplines -  (...) with the directions of potential influence going both to and from metaphysics. Second, metaphysical notions and posits are embedded in the notions and posits of other areas of investigation" (p. 94)

"Neither 'hands-off' nor overly primitivist approaches have the resources to establish metaphysics as non-redundant and genuinely explanatory. On the embedded conception, however, metaphysics has non-redundant jobs to do in assessing and systematising other disciplines, and in constructing meta-accounts, as part of this assessment, which are sensitive to the full range of data and theoretical desiderata." (p. 96)

Jessica Wilson, "The question of metaphysics", The Philosophers' Magazine, 74 (2016) 3: 90-96


"Resumo: A partir do uso de frases declarativas, reconheço a oportunidade de um discurso filosófico, mas eminentemente em correlação ao científico. A poesia filosófica e o discurso prático filosófico não serão de todo descabidos, mas a filosofia poética é-o. Em geral, a filosofia não se confunde com a sua história, nem com a hermenêutica e a análise lógico-linguística de que essa história (um pouco como no presente texto!) se serve." (p. 3)

" avanço uma terceira consideração de base: a de uma desnivelação nessa concepção geral entre a do que há enquanto tal, e a concepção de cada caso, de cada acontecimento, segundo a resposta (logicamente prévia) à questão do nível anterior. Penso que esta desnivelação conceptual se abriu na busca pré-socrática de um princípio do que há, em Platão e nos seus níveis ontológicos, na concepção aristotélica do ente como tal subjazendo a quaisquer determinações concretas dos entes assim estruturados,... até autores contemporâneos como Hilary Putnam (1988: 114) e a escolha primordial do esquema conceptual que enformará, depois, as concepções do que de cada vez esteja em causa. Tradicionalmente chama-se “filosofia” ao trabalho e à obra nesse nível radical." (p. 8)

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